Porque o texto é bonito demais para não ser partilhado, aqui está ele - o texto da Homilia escrito pelo Padre e Amigo Gonçalo para o nosso Casamento.
O Amor é sempre possível!
Homilia no Casamento de Davide e Liliana (14 de Junho de 2008)
1. Na noite de casamento, há um poema para rezar. Tobias e Sara sabem que o seu encontro nupcial tem as estrelas do céu por testemunhas, tem Deus, lá do alto, a pular de alegria, numa exaltação e exultação de amor. A Oração de Tobias e de Sara canta e celebra aquela experiência humana do amor, «pelo qual se abre para os esposos uma promessa de felicidade, que parece irresistível” (Bento XVI, DCE 6)! De facto, o Matrimónio é uma experiência humana tão bela e tão rica que a Sagrada Escritura a vê como uma esplendorosa aparição do amor divino! O matrimónio manifesta, por assim dizer, o tesouro escondido, dessa riqueza inesgotável e dessa beleza indizível, do amor imenso de Deus!
2. Por consequência, o casamento não resulta de uma qualquer construção social, destinada apenas a assegurar a vida em comum. O Matrimónio responde e corresponde, ao eterno desígnio do amor de Deus, por nós. Isso quer dizer que, ainda que não percebais porquê, nem saibais como, esta experiência de amor que une Homem e Mulher, é algo que nasce e se desenvolve, cresce e acontece no desígnio insondável do coração de Deus - Amor. Eis, porque a Sagrada Escritura, arrisca cantar e rezar o hino do amor humano, como exaltação do amor divino. E assim, muito embora sejam tantas e tão belas as expressões humanas do amor, “a verdade é que o amor conjugal sobressai como arquétipo do amor por excelência. De tal modo é assim que, comparados com ele, à primeira vista todos os demais tipos de amor se ofuscam”, diz-nos o Papa Bento XVI (DCE 2).
3. Mas vede bem: este amor, que não nasce da inteligência nem da vontade, pelo qual homem e mulher se sentem atraídos e se procuram, amadurecerá só e apenas quando não procurardes agarrar a felicidade repentina. Pelo contrário, tereis de encontrar sempre a paciência de descobrir cada vez mais o outro em profundidade, na totalidade da alma e do corpo, de maneira que, por último, a felicidade do outro se torne mais importante que a minha. Então, cada um já não desejará apenas agarrar o outro, mas doar-se, entregar-se. Dar a vida. Precisamente nesta libertação do eu, do interesse próprio, é que a pessoa se encontra a si mesma e se enche de alegria!
4. O amor, de facto, não o encontrareis já feito e perfeito; não se vive em amor, sem dor. Para chegar à caridade, de que falava São Paulo noutro Hino, ele tem de crescer dia a dia e todos os dias; ou seja, podeis aprendê-lo lentamente, de modo que ele abranja todas as vossas forças e vos abra o caminho para uma vida recta. O amor, de que aqui falamos, não é só um sentimento, a ele pertencem também a inteligência e a vontade (cf. evangelho: “amararás ao Senhor teu Deus, com toda a tua alma, como todo o teu coração, com todo o teu entendimento, com todas as tuas forças”), ele implica a pessoa no seu todo e toda a pessoa. Porque nos foi dado, este amor pode ser mandado! Mas para chegar à caridade, o amor tem de passar pela castidade, tem de fazer todo um percurso de purificações e maturações, necessário para que essa promessa de prazer e de felicidade possa consumar-se. Trata-se da aprendizagem lenta do amor completo, na paciência do crescimento e da maturação.
5. Assim se vê bem que o amor autêntico, é doação de si, e não pode existir se pretender subtrair-se à cruz. «Ninguém tem maior amor do que dar a vida» (cf. Evangelho), disse e testemunhou-o Jesus por nós. «Assim como o amor vos coroa, também deve crucificar-vos» (K. Gibrain); Isto significa também, que para viver o amor conjugal, segundo este ideal cristão da caridade, os esposos não se bastam a si mesmos, precisam continuamente da graça de Cristo! Essa graça, é dada pelo matrimónio e passa pelos outros sacramentos; é uma graça que liberta, cura e restaura, transforma e eleva o amor dos esposos acima dos seus próprios limites. Sem esta graça de Cristo, jamais vós, e todos os esposos, vos podereis amar assim, por inteiro e até ao fim, como Ele (Cristo) amou a sua Igreja! Mas acreditai no amor: «quando o amor vos fizer sinal, segui-o» (K. Gibrain). «E quando vos falar, acreditai nele; apesar de a sua voz poder quebrar os vossos sonhos como o vento norte ao sacudir os jardins». (K. Girain).
6. Davide e Liliana: Celebrais aqui o dom do vosso amor, como manifestação e participação no amor de Cristo pela Igreja. Também daqui o Senhor vos envia, na condição de “marido e esposa”; Ele confia-vos agora o mandato de testemunhardes o seu amor no mundo, de prolongardes o milagre da sua criação, na procriação e educação dos filhos. Deste modo, tem início aqui e agora, pelo vosso sim, a construção da família cristã, de uma verdadeira «Igreja Doméstica». Os esposos edificam a família, como Igreja Doméstica.
7. Querido casal: "Nascestes juntos, juntos ficareis para sempre". Mas que haja espaço na vossa comunhão e que os ventos do Céu dancem no meio de vós". Que o amor de cada um edifique o outro, dando-lhe espaço para ser o que é e para crescer na sua justa dimensão. Que a presença do outro, não sufoque nunca os movimentos íntimos da alma de cada um, os seus desejos mais profundos... que nem o próprio é capaz de dizer, de alcançar ou compreender. «Mantende-vos juntos, porque o amor pede companhia, deseja cercania da pessoa amada, a quem se dá o tempo, na monotonia da vida, a atenção delicada no silêncio eloquente das palavras que depois e então já não servirão para nada...
8. «Nascestes juntos, juntos ficareis para sempre. Ficareis juntos, quando as asas brancas da morte dispersarem os vossos dias. Sim, ficareis juntos, até na silenciosa memória de Deus». Porque Deus, como dizia Gibrain, é esse mar que se move entre as praias das vossas almas! Deus é essa Mão da Vida, única a poder conter os vossos corações! E a guardá-los no seu amor!... Porque só o amor protege o amor.
9. Acreditai: “o amor é possível, e nós somos capazes de o praticar porque fomos criados à imagem de Deus, que é amor. Viver o amor e, deste modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo: tal é o convite que vos queria deixar” (DCE 39)!
Preço 83.000 euros
Há 15 anos

Sem comentários:
Enviar um comentário